Nunca tinha parado para ver o que eu gostava ou não em mim, simplesmente era autêntica e gostava disso. Gosto de tantas coisas diferentes, talvez por isso sempre fui um pouco isolada do comum. Gosto maneiro pelo incomum... Um pouco até chata, talvez, mas ímpar. Sabe aquela que não se encaixava em nenhum padrão? Aos 15 queria ir para New York. Disney nunca foi primeira opção. Sempre gostei de moda, música, viagens, meu quarto e chuva, e isso nunca mudou! Ah, meu quarto é meu mundo. Lugar único, meu alívio, refúgio... meu cantinho de sonhos, e sou sonhadora demais. Mas não sonho com coisas pequenas, não, se é pra sonhar tem que ser grande! Me perco, fujo da realidade, chego a passar horas pensando... na verdade, acho que sonho acordada. Por um tempo me perdi de mim, simplesmente foi acontecendo e quando dei por mim já não havia mais autenticidade nos meus atos. Eu era outra pessoa, que eu não gostava de ser mas que não sabia mais como retornar. Acho que isso acontece quando não te aceitam como você é e você vai tentando se moldar tanto para agradar que some. Fase que eu não tinha espaço para meus hábitos. Não tinha mais meu canto, até os sonhos foram ridicularizados. Fase de doar mais que receber. Fase de desequilíbrio. Fase de sextos sentidos e sentimentos aflorados. Mas quando você se encontra nessa fase, você sabe exatamente quem te quer bem. Quem te quer bem te ajuda a levantar, e não fica de braços cruzados assistindo você cair. E caí numa estrada sem fim! Não sabia a direção a tomar porque eu não havia deixado sequer rastros de mim. Mas isso me serviu de lição, experiência que trouxe maturidade e, principalmente, conhecimentos sobre como o ser humano pode ser instável com seus sentimentos. Como as pessoas te ludibriam com palavras doces e coração dobrado. Como dão mais valor ao que você tem, não a quem você é. E meu maior desafio foi perdoar, e perdoei! Afinal, ninguém é perfeito, embora sinceridade seja o mínimo. Saber sair é tão importante quanto saber entrar. Mas o lado bom de tudo isso é que, finalmente, me reencontrei. E de tudo que não me pertence estou me lavando, não quero nada que não seja meu. Não quero nada além do que seja eu. Hoje eu quero tudo que me faz feliz, correr atrás de tudo que eu sempre quis, sem me esconder, sem me corrigir, sem me constranger. Me permitir.
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